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O desafio da gestão do capital de giro

Além das decisões de orçamento e dispêndio de capital, direcionadas aos investimentos em ativos de longo prazo das empresas, e das decisões de composição da estrutura de capital, que definem as proporções de capitais próprios e de terceiros como financiamento, outros dos principais desafios dos gestores financeiros são os aspectos operacionais e de liquidez nas atividades de curto prazo das empresas. A gestão do caixa das empresas deve ter a preocupação constante de manter o fluxo de caixa de curto prazo caracterizado pelo capital de giro líquido positivo.

A administração do capital de giro (ou Capital Circulante Líquido – CCL) é uma grandeza complexa e fundamental no julgamento da situação de equilíbrio ou desequilíbrio financeiro da empresa. A gestão deve levar em consideração as idiossincrasias inerentes ao capital circulante e sua forma de financiamento, estando portanto diretamente relacionadas aos aspectos de curto prazo dentro da empresa. Os investimentos em ativos circulantes representam em média 50% do capital de uma empresa (elevando-se a aproximadamente 75% no caso do comércio atacadista).

As decisões relacionadas a estes ativos são tomadas tendo como base informações da empresa (liquidez, previsão de vendas, etc.) e de seu meio ambiente (taxa de juros, tendências de preços, etc.). A instabilidade do cenário financeiro faz que estas informações sejam de determinação e análise mais complexas.

Na rotina operacional da administração financeira, o monitoramento da necessidade e captação de recursos de curto prazo coloca os gestores em constante estado de alerta em relação a todos os fatores internos e externos à empresa, que direta ou indiretamente exerçam impacto sobre a liquidez. Grande e contínua é a preocupação com os índices e margens que indiquem a situação das vendas, das compras, dos prazos, dos ciclos operacionais e financeiros. Além disso, o relacionamento com instituições financeiras e a atualização permanente sobre os tipos de operações e possibilidades de financiamentos não operacionais são atividades que urgem que o administrador financeiro esteja conectado com as necessidades da empresa e as ofertas do mercado.

Sendo composto pela relação entre ativos e passivos de curto prazo, o capital de giro está intimamente relacionado com os conceitos de lucratividade e de risco. A lucratividade é função da diferença entre receitas e custos gerados pelos ativos circulantes ou permanentes das empresas. Já o risco se refere a insolvência, ou capacidade de pagamento da empresa.

Para suprir a necessidade de capital de giro há diversas ações que podem ser tomadas. Formação de reserva financeira, encurtamento do ciclo econômico, controle da inadimplência, alongamento do perfil da dívida, renegociação de passivos e reduções de custos são algumas das atitudes que podem ser tomadas internamente para melhorar a situação do CCL.

É possível também lançar mão de recursos externos para cobrir possíveis “soluços” de caixa. No entanto, há de ser ter a adequada preocupação com o perfil da dívida a ser assumida. Investimentos necessários em ativos circulantes podem levar a necessidades de empréstimos que trazem consigo altas cargas de despesas financeiras.

Embora saibamos que por um lado as despesas financeiras chegam a ser benéficas às empresas, de acordo com o conceito do “benefício da dívida”, é imprescindível o entendimento de que as despesas financeiras também representam desencaixes, o que termina por colaborar com o aumento dos gastos, consequentemente tornando mais difícil a criação de um capital de giro líquido sustentado pela geração interna de Caixa.

Portanto, é necessário conciliar ações internas de recuperação da geração de capital de giro com a captação externa de recursos pontuais, e não permanentes, para suprir possíveis necessidades de caixa, levando em consideração a devida análise sobre o perfil da operação de crédito a ser pleiteada, de maneira a onerar o mínimo possível a empresa com despesas financeiras.

Autor: Luiz Falbo Di Cavalcanti, Fundador KALEA.

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